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As máquinas secretas

Fernando Ramires
03/02/2010


Eu ainda continuo sem entender a música atual. Na verdade, talvez eu entenda muito bem, só não quero acreditar.

Passei por nuvens carregadas e tive que apertar o cinto até a turbulência acabar e o avião seguir seu vôo tranqüilo. Nesse tempo, não pude escutar bandas das quais eu gostava e deveria dar toda a minha atenção, nem coisas novas que poderiam fazer com que eu esquecesse o pessimismo que tenho tido com a cena do rock atual.

Ano novo, vida nova. O terceiro disco do The Secret Machines (homônimo), saiu em outubro de 2008, mas vale a pena comentar. Não só da cena da música atual, meu entendimento da chamada "crítica musical especializada" atual é ainda menor: quando descobri que o disco já tinha saído do forno, corri para ouvi-lo enquanto lia críticas sobre o álbum. Grande parte delas "negativas" ou moderadas. Porém, isso não condizia com aquilo que tocava no meu fone de ouvido - alguma coisa estava fora de lugar.

As duas primeiras faixas do álbum soam como o bom e "velho" Secret Machines, o que é ótimo e está num terreno seguro. A partir da terceira faixa, Underneath The Concret, já se pode ouvir a mudança no grupo e a ótima evolução que o trio atingiu nessa altura da carreira. A reunião da música minimalista, do trip-hop e do romantismo melancólico do Secret Machinies começa a tomar forma como uma brisa leve que balança invisível a porta da sala e, assim, a ditar os caminhos do disco.

Desse momento em diante, as guitarras começam a lançar murmúrios sufocados, tanto quanto os vocais de Brandon Curtis, mais agudos, roucos e sussurrados do que antes. Vez ou outra a brisa leve toma força e lança galhos e poeira na porta em que apenas balançava, e o barulho é aterrorizador como em I.

É nesse momento que a veia progressiva da banda começa a saltar e você pensa que tudo o que está ali não pode ser comido como um lanche do Mc Donald's, a banda não participa do fast-food musical que abarrota setlists de iPod's e ganham topos de lista de "10 melhores do ano". Não precisaria chegar ao fim do álbum para saber que tinha ali uma pérola jogada no meio da lavagem, e que os porcos seguiram o instinto da sua vara (é o coletivo de porcos, não seja malicioso), devorando a comida e cuspindo as pérolas.

O terceiro disco dos Secret Machines pode não conseguir ir muito além da sua já base de fãs, conhecedores da banda, mas consegue muito mais do que isso: levar sua base de fãs para além do descartável rock contemporâneo.


Ficha Técnica:

Data de Lançamento:
14/10/2008

Gravadora:
TSM Recordings

Produzido por:
Secret Machines e Brandon Manson




 

Quer Saber mais?

Myspace da Banda

Site Ofiicial


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