Eu ainda continuo sem entender a música atual. Na verdade,
talvez eu entenda muito bem, só não quero acreditar.
Passei por nuvens carregadas e tive que apertar o
cinto até a turbulência acabar e o avião seguir
seu vôo tranqüilo. Nesse tempo, não pude escutar
bandas das quais eu gostava e deveria dar toda a minha atenção,
nem coisas novas que poderiam fazer com que eu esquecesse o pessimismo
que tenho tido com a cena do rock atual.
Ano novo, vida nova. O terceiro disco do The
Secret Machines (homônimo), saiu em outubro de 2008,
mas vale a pena comentar. Não só da cena da música
atual, meu entendimento da chamada "crítica musical especializada"
atual é ainda menor: quando descobri que o disco já
tinha saído do forno, corri para ouvi-lo enquanto lia críticas
sobre o álbum. Grande parte delas "negativas" ou
moderadas. Porém, isso não condizia com aquilo que tocava
no meu fone de ouvido - alguma coisa estava fora de lugar.
As duas primeiras faixas do álbum soam como
o bom e "velho" Secret Machines, o que é ótimo
e está num terreno seguro. A partir da terceira faixa, Underneath
The Concret, já se pode ouvir a mudança no grupo
e a ótima evolução que o trio atingiu nessa altura
da carreira. A reunião da música minimalista, do trip-hop
e do romantismo melancólico do Secret Machinies começa
a tomar forma como uma brisa leve que balança invisível
a porta da sala e, assim, a ditar os caminhos do disco.
Desse momento em diante, as guitarras começam
a lançar murmúrios sufocados, tanto quanto os vocais
de Brandon Curtis, mais agudos, roucos e sussurrados do que antes.
Vez ou outra a brisa leve toma força e lança galhos
e poeira na porta em que apenas balançava, e o barulho é
aterrorizador como em I.
É nesse momento que a veia progressiva da
banda começa a saltar e você pensa que tudo o que está
ali não pode ser comido como um lanche do Mc Donald's, a banda
não participa do fast-food musical que abarrota setlists de
iPod's e ganham topos de lista de "10 melhores do ano".
Não precisaria chegar ao fim do álbum para saber que
tinha ali uma pérola jogada no meio da lavagem, e que os porcos
seguiram o instinto da sua vara (é o coletivo de porcos, não
seja malicioso), devorando a comida e cuspindo as pérolas.
O terceiro disco dos Secret Machines
pode não conseguir ir muito além da sua já base
de fãs, conhecedores da banda, mas consegue muito mais do que
isso: levar sua base de fãs para além do descartável
rock contemporâneo.
Ficha Técnica:
Data de Lançamento:
14/10/2008
Gravadora:
TSM Recordings
Produzido por:
Secret Machines e Brandon Manson
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