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Werner Herzog

Mariana Bonfim
29/01/2009


Herzog sempre foi considerado no meio cinematográfico como um cineasta fortemente autoral, já que escreveu e produziu boa parte dos filmes que dirigiu. Tanta diversidade pode ser oriunda de sua formação acadêmica, com um currículo que engloba História, Literatura e Artes Cênicas. Assim como Fassbinder e Wenders, Herzog completa o time dos associados ao movimento do novo cinema alemão. Porém, seus roteiros transpassam qualquer fórmula, sempre enfocando na temática de anti-heróis com objetivos inatingíveis, ou pessoas de grande talento que são obscurecidas e ignoradas.

Aguirre, a Cólera dos Deuses (1972)
Se muitos diretores “adotam” atores como favoritos para encarnar suas personas, o de Herzog era Klaus Kinski. Mesmo com uma relação tumultuada, a parceria fílmica persistiu por diversos longas. Neste especificamente a “persona” é Lope de Aguirre, um aventureiro espanhol que se embrenha pelas selvas no Novo Mundo a procura de riquezas naturais, mas a crescente loucura e obsessão do conquistador dizimam todos a sua volta. Filme muito prestigiado devido ao marcante estilo visual e narrativo.

O Enigma de Kaspar Hauser (1974)
Uma obra de ultrapassa a Psicologia, Filisofia, Antropologia e outras Ciências Sociais. Baseado na história real de Kaspar Hauser um ser humano que passou a vida em cativeiro, deitado, no escuro, sem qualquer contato humano. Um dia este é liberto e mesmo sem ser capaz de falar ou andar, se torna uma atração popular. Não tardará a alguém explorar ainda mais a sua pobre condição. Uma interessante análise do desenvolvimento humano, principalmente o psicossocial.

Nosferatu - O Vampiro da Noite (1979)
Se utilizando do clássico de 1922 do diretor Murnau, verdadeiro ícone do expressionismo alemão, o filme é um misto de homenagem e releitura. Baseado no Drácula de Bram Stocker, foca na jornada de terror de Jonathan Harker na mansão do maléfico Conde Drácula. Mais uma vez há a presença de Klaus Kinski, agora encarnando o lorde dos vampiros, sempre perturbador.

Fitzcarraldo (1982)
Filmado na Amazônia brasileiro, este épico é o ápice da idéia do sonho inatingível acompanhando de uma imensa ambição desmedida. Personagem e diretor se confundem, pois ambos empreendem uma insana busca, desbravando a natureza em troca de muitas vidas. Assim como o personagem Fitzcarraldo sonha em construir uma casa de ópera no alto Amazonas, Herzog tenta transpor morros e matas com cenário e equipe em busca da filmagem perfeita. É quem interpreta o alter-ego louco? Ele mesmo, Klaus Kinsk.

O Homem Urso (2005)
Injustamente esquecido pelo Oscar da categoria, este documentário é um dos filmes mais extraordinários já realizados pelo diretor alemão. O longa cria um tributo comovente a um homem que, na tentativa de se encontrar, acabou se destruindo. Antes de tudo, um forte documentário que discute o ser humano e o seu envolvimento com a natureza de forma duvidosa.

O Sobrevivente (2006)
Chega de Klaus Kinski, pois agora é Christian Bale quem sofreu nas mãos de Herzog. Mais uma vez a natureza serve como pano de fundo e obstáculo intransponível ao homem. Há um profundo questionamento das transformações pelas quais o ser racional passa em ambiente selvagem. E até o ponto em que ser e ambiente se tornam indissociáveis.


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