Herzog sempre foi considerado no meio cinematográfico como
um cineasta fortemente autoral, já que escreveu e produziu
boa parte dos filmes que dirigiu. Tanta diversidade pode ser oriunda
de sua formação acadêmica, com um currículo
que engloba História, Literatura e Artes Cênicas. Assim
como Fassbinder e Wenders,
Herzog completa o time dos associados ao movimento do novo cinema
alemão. Porém, seus roteiros transpassam qualquer fórmula,
sempre enfocando na temática de anti-heróis com objetivos
inatingíveis, ou pessoas de grande talento que são obscurecidas
e ignoradas.
Aguirre, a Cólera dos Deuses (1972)
Se muitos diretores “adotam” atores como favoritos para
encarnar suas personas, o de Herzog era Klaus Kinski. Mesmo com uma
relação tumultuada, a parceria fílmica persistiu
por diversos longas. Neste especificamente a “persona”
é Lope de Aguirre, um aventureiro espanhol que se embrenha
pelas selvas no Novo Mundo a procura de riquezas naturais, mas a crescente
loucura e obsessão do conquistador dizimam todos a sua volta.
Filme muito prestigiado devido ao marcante estilo visual e narrativo.
O Enigma de Kaspar Hauser (1974)
Uma obra de ultrapassa a Psicologia, Filisofia, Antropologia e outras
Ciências Sociais. Baseado na história real de Kaspar
Hauser um ser humano que passou a vida em cativeiro, deitado, no escuro,
sem qualquer contato humano. Um dia este é liberto e mesmo
sem ser capaz de falar ou andar, se torna uma atração
popular. Não tardará a alguém explorar ainda
mais a sua pobre condição. Uma interessante análise
do desenvolvimento humano, principalmente o psicossocial.
Nosferatu - O Vampiro da Noite (1979)
Se utilizando do clássico de 1922 do diretor Murnau, verdadeiro
ícone do expressionismo alemão, o filme é um
misto de homenagem e releitura. Baseado no Drácula de Bram
Stocker, foca na jornada de terror de Jonathan Harker na mansão
do maléfico Conde Drácula. Mais uma vez há a
presença de Klaus Kinski, agora encarnando o lorde dos vampiros,
sempre perturbador.
Fitzcarraldo (1982)
Filmado na Amazônia brasileiro, este épico é o
ápice da idéia do sonho inatingível acompanhando
de uma imensa ambição desmedida. Personagem e diretor
se confundem, pois ambos empreendem uma insana busca, desbravando
a natureza em troca de muitas vidas. Assim como o personagem Fitzcarraldo
sonha em construir uma casa de ópera no alto Amazonas, Herzog
tenta transpor morros e matas com cenário e equipe em busca
da filmagem perfeita. É quem interpreta o alter-ego louco?
Ele mesmo, Klaus Kinsk.
O Homem Urso (2005)
Injustamente esquecido pelo Oscar da categoria, este documentário
é um dos filmes mais extraordinários já realizados
pelo diretor alemão. O longa cria um tributo comovente a um
homem que, na tentativa de se encontrar, acabou se destruindo. Antes
de tudo, um forte documentário que discute o ser humano e o
seu envolvimento com a natureza de forma duvidosa.
O Sobrevivente (2006)
Chega de Klaus Kinski, pois agora é Christian Bale quem sofreu
nas mãos de Herzog. Mais uma vez a natureza serve como pano
de fundo e obstáculo intransponível ao homem. Há
um profundo questionamento das transformações pelas
quais o ser racional passa em ambiente selvagem. E até o ponto
em que ser e ambiente se tornam indissociáveis.